BOLETIM

Porto Alegre tem segundo caso de suspeita de intoxicação por metanol

Trata-se de um homem de 23 anos que ingeriu vinho e sentiu-se mal em seguida

Crédito: Shutterstock
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O Ministério da Saúde confirmou, em boletim divulgado na segunda-feira (6), o segundo caso de suspeita de intoxicação por metanol em Porto Alegre. Trata-se de um homem de 23 anos que ingeriu vinho e sentiu-se mal em seguida.

Até então, o RS havia registrado um caso suspeito de ingestão de metanol. Um homem de 38 anos, residente em Porto Alegre, recebeu atendimento no Hospital de Pronto-Socorro no sábado. Ele já teve alta hospitalar e segue em investigação laboratorial. Além disso, a saúde descartou, após análise, um terceiro caso em Santa Maria.

O paciente da capital preservou parte da bebida ingerida, uma cachaça, que irá para o IGP para análise. Caso seja confirmada a presença de metanol, será necessário rastrear a origem da bebida, incluindo lote e estabelecimento de venda. A Vigilância Sanitária Municipal, com apoio do Estado, será responsável por essa ação.

Exames no RS

O CIT (Centro de Informação Toxicológica), vinculado ao Cevs (Centro Estadual de Vigilância em Saúde), passará a realizar, nos próximos dias, exames laboratoriais para identificação de metanol em casos suspeitos de ingestão durante o consumo de bebidas destiladas.

“A medida representa um avanço na capacidade de resposta do Rio Grande do Sul frente a possíveis intoxicações por essa substância”, disse o governo do Estado em nota.

A equipe técnica do CIT já adquiriu os insumos necessários e está em fase de padronização e testes dos equipamentos. A previsão é de que os exames comecem a ser realizados na próxima semana. Atualmente, essa análise é feita pelo IGP (Instituto-Geral de Perícias), que continuará prestando assessoramento técnico ao CIT na operacionalização da metodologia.

“A nossa equipe já tem experiência em análises toxicológicas, e agora está preparada para atuar também na identificação de metanol. Queremos ser referência nesse tipo de atendimento”, afirmou a secretária da Saúde, Arita Bergmann.

Além da estrutura laboratorial, a Secretaria da Saúde está realizando um levantamento junto à rede hospitalar sobre os estoques de etanol farmacêutico, utilizado no tratamento de intoxicações por metanol. O Estado também aguarda o envio de um antídoto específico, que está sendo adquirido pelo Ministério da Saúde junto a fornecedores internacionais.

O CIT será o ponto focal da Secretaria da Saúde para recebimento de notificações de casos suspeitos, feitas pelos serviços de saúde. O atendimento funciona pelo telefone 0800-7213000, com plantão 24 horas, todos os dias da semana. Profissionais de saúde podem obter apoio no diagnóstico e orientações sobre o tratamento por meio do serviço.

Comitê intersecretarial

Na última sexta-feira (3), o governo do Estado criou um comitê intersecretarial para acompanhar possíveis casos de bebidas contaminadas por metanol. O grupo reúne representantes das secretarias da Saúde, da Segurança e da Agricultura, além de órgãos como Samu, Cevs, Polícia Civil, Brigada Militar e IGP.

Uma reunião entre os integrantes do comitê está marcada para esta terça-feira (7), quando haverá discussão da publicação de uma nota informativa conjunta. O documento deverá orientar municípios e serviços de saúde sobre procedimentos e ações diante de casos suspeitos.

O que fazer em casos de suspeita de intoxicação

Diante da ocorrência de intoxicações por metanol, o Ministério da Saúde reforça a importância da vigilância e orienta sobre as ações a serem tomadas. O metanol é uma substância tóxica usada em solventes e produtos químicos, podendo causar danos graves ao fígado, cérebro e nervo óptico — com risco de cegueira, coma e até morte.

Principais sintomas (podem surgir entre 12 e 24 horas após ingestão):

  • Dor abdominal
  • Visão alterada
  • Confusão mental
  • Náusea

É possível confundir esses sinais com os de uma ressaca comum. Por isso, ao identificá-los, a pessoa deve procurar imediatamente atendimento médico em uma unidade de emergência.

Na chegada ao serviço de saúde, é essencial informar:

  • Que houve consumo de bebida alcoólica
  • O contexto (ex.: festa, bar, evento)
  • Tipo de bebida ingerida
  • Presença ou não de rótulo na embalagem
  • Horário aproximado da ingestão
  • Essas informações ajudam na investigação, diagnóstico e tratamento adequados

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