RISCO À SAÚDE

Pesquisa mostra que brasileiros subestimam danos silenciosos do diabetes

Levantamento com 2.005 pessoas indica que poucos relacionam diabetes a problemas nos rins e no coração. Amputações e perda de visão são as complicações mais lembradas.

Autoteste de diabetes. Crédito: Robson da Silveira / SMS, PMPA
Autoteste de diabetes. Crédito: Robson da Silveira / SMS, PMPA
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Uma pesquisa nacional do Datafolha, encomendada pela biofarmacêutica AstraZeneca, indica que a maioria dos brasileiros conhece o diabetes, mas subestima os impactos silenciosos da doença ao longo do tempo. O levantamento ouviu 2.005 pessoas em 113 municípios e mostra que complicações graves nos rins e no coração ainda são pouco associadas ao mau controle da glicemia.

Na pergunta espontânea sobre complicações do diabetes, apenas 10% mencionaram que a doença pode causar problemas renais ou cardíacos, como doença renal crônica, insuficiência cardíaca ou hipertensão. Em contraste, amputações (27%) e perda da visão (23%) foram as respostas mais citadas.

Conforme especialistas, o diabetes mal controlado pode comprometer vários órgãos e sistemas, incluindo olhos, rins, coração e vasos, sistema nervoso periférico e cérebro.

“A população associa o diabetes aos efeitos físicos, que ficam mais evidentes, mas ignora as lesões silenciosas que se acumulam ao longo dos anos nos órgãos vitais, como os rins. É essencial ampliar o acesso à informação e à prevenção para que mais pessoas reconheçam os riscos e busquem acompanhamento médico contínuo”, afirma o nefrologista Carlos Koga.

Diabetes cresce e afeta 16 milhões no Brasil

A OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica o diabetes como uma epidemia silenciosa. No mundo, a doença atinge mais de 830 milhões de pessoas. No Brasil, são 16 milhões.

O levantamento também aponta que o desconhecimento é maior entre jovens. Ao serem questionados de forma estimulada sobre a relação entre diabetes e doença renal, metade dos brasileiros entre 16 e 24 anos disse nunca ter ouvido falar dessa conexão.

“Os jovens podem ser protagonistas na mudança de hábitos e na disseminação de informação. No entanto, os dados mostram que ainda há um caminho importante a percorrer para fortalecer o conhecimento sobre as doenças crônicas e suas conexões”, avalia a cardiologista Lidia Moura.

Hipertensão é conhecida, mas prevenção ainda falha

A pesquisa também abordou a hipertensão. Segundo o levantamento, 98% dos entrevistados disseram já ter ouvido falar de pressão alta. Mesmo assim, o estudo aponta que o conhecimento não garante prevenção e monitoramento.

Entre os entrevistados com diagnóstico de diabetes e/ou hipertensão, 31% afirmaram nunca ter recebido orientação médica sobre prevenção de doenças relacionadas. Por outro lado, 61% disseram que gostariam de tirar dúvidas com um especialista sobre alimentação e riscos cardíacos e renais.

“Os resultados indicam que a população quer entender melhor como as doenças se conectam. Isso mostra uma oportunidade clara de promover educação em saúde e estimular o cuidado integrado”, afirma Rodrigo O. Moreira, membro do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Datafolha entre 8 e 12 de setembro de 2025, a pedido da AstraZeneca. Foram 2.005 entrevistas presenciais em 113 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A amostra é representativa da população brasileira com 16 anos ou mais.

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