
A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado foi instalada nesta terça-feira (4) no Senado Federal. Ela será presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES). A escolha foi considerada uma vitória do governo federal, que temia que a comissão ficasse sob controle da oposição.
O resultado foi de 6 votos a 5 sobre o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que assumirá a vice-presidência.
A CPI contará com 11 titulares e 7 suplentes. Entre os titulares estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Magno Malta (PL-ES), Marcos do Val (Podemos-ES), Marcio Bittar (PL-AC) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS), além de Rogério Carvalho (PT-SE), Fabiano Contarato (PT-ES), Otto Alencar (PSD-BA), Jorge Kajuru (PSB-GO), Angelo Coronel (PSD-BA) e Alessandro Vieira (MDB-SE).
Após a votação, Contarato afirmou que a CPI deve atuar com seriedade e sem populismo. “Não permitirei que o debate sobre segurança pública seja sequestrado por discursos fáceis e populistas. O combate ao crime organizado exige seriedade e inteligência, não pirotecnia”, disse o novo presidente da comissão.
Durante a sessão, o senador também comentou as 121 mortes registradas na megaoperação policial no Rio de Janeiro. “Por mais que as operações sejam necessárias, jamais podemos comemorar a morte de qualquer pessoa”, afirmou.
Em seguida, os parlamentares fizeram um minuto de silêncio em homenagem aos quatro policiais mortos na mesma operação.
Estrutura e objetivos da CPI
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi escolhido como relator da CPI e é o autor do requerimento que propôs a criação da comissão. Ele sugeriu dividir os trabalhos em eixos temáticos, entre eles: domínio territorial, lavagem de dinheiro, sistema prisional, corrupção, rotas de transporte de mercadorias ilícitas, crimes de facções, integração entre órgãos de segurança e orçamento público.
Autoridades convidadas
Entre os requerimentos aprovados, estão convites para:
- Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça;
- José Múcio, ministro da Defesa;
- Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal;
- Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência da PF;
- Antônio Glautter, diretor de Inteligência da Senappen;
- Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da Abin;
- Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro;
- Victor Cesar Carvalho dos Santos, secretário de Segurança Pública do Rio.
Também deverão ser ouvidos especialistas em segurança pública e representantes de comunidades afetadas por facções criminosas. Segundo Vieira, a ideia é que a CPI produza propostas realistas, baseadas na experiência de quem vive o problema de perto.
“Se for necessário, vamos ouvi-las em sessão fechada. Não quero que essas pessoas se coloquem em uma trincheira contra o tráfico ou a milícia. É injusto exigir isso delas. Mas precisamos ouvir o que ocorre nas comunidades durante as incursões policiais e as ocupações do crime”, explicou o relator.
Seu negócio no Agora RS!
Fale com nosso time comercial e descubra como veicular campanhas de alto impacto, personalizadas para o seu público.