OPERAÇÃO POLICIAL

MP-RS investiga esquema de fraudes para obtenção de prisão domiciliar

Grupo utilizava laudos médicos falsos para beneficiar líderes de facção criminosa.

Crédito: MP-RS / Divulgação
Crédito: MP-RS / Divulgação

Rio Grande do Sul - O MP-RS (Ministério Público do Rio Grande do Sul) deflagrou, nesta terça-feira (25), a Operação Hipocondríacos para desarticular um esquema de fraudes na concessão de prisões domiciliares humanitárias. A investigação apura o uso de laudos médicos falsificados para beneficiar presos de alta periculosidade e líderes de facção criminosa na Região Metropolitana.

O grupo criminoso forjava diagnósticos e procedimentos médicos para obter benefícios judiciais. Conforme o MP-RS, profissionais da saúde, advogados e intermediários das facções atuavam juntos para fraudar documentos e induzir juízes ao erro. Entre os crimes investigados estão falsidade ideológica, uso de documentos falsos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Esquema criminoso

As fraudes envolviam laudos médicos falsos que atestavam doenças inexistentes ou agravavam condições leves. Nos documentos, haviam indicações de cirurgias desnecessárias e longos períodos de recuperação, garantindo que os presos recebessem o benefício da prisão domiciliar.

As investigações apontam que um médico traumatologista elaborava os laudos a pedido de advogados e intermediários da facção. Em algumas situações, os documentos estavam ajustados para parecerem mais graves. De acordo com o MPRS, presos fugiam ou voltavam a cometer crimes logo após receberem o benefício.

O financiamento do esquema ocorria por meio de empresas controladas pela facção, como construtoras e consultorias, registradas em nome de terceiros. O dinheiro obtido com atividades criminosas era utilizado para pagar advogados e médicos envolvidos na fraude.

A operação contou com apoio da Brigada Militar. As investigações seguem em andamento.