Cultura

Painel do FRAPA discute a dramatização da realidade na série "Tremembé"

Bate-papo com os roteiristas permitiu conhecer mais dos bastidores e de como ocorreu a produção da série do Prime Vídeo

Crédito: Thiago Xavier / Agora RS
Crédito: Thiago Xavier / Agora RS
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Chegamos ao quarto dia de cobertura do FRAPA (Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre). Nesta quinta-feira (7), participei de um painel, também voltado a uma série nacional: “Tremembé”. A série está disponível no Prime Vídeo.

Durante o encontro, assistimos ao trailer, e na sequência, tivemos um bate-papo com os roteiristas. Aliás, estou amando poder ouví-los, conhecer mais dos bastidores e de como ocorreu a produção. Isso instiga minha curiosidade para assistir. Inclusive, estava comentando com meus colegas. Sou um pouco distante das séries. Mas, pelo visto as nacionais, estão me pegando em cheio.

Diferente do painel anterior, onde regressamos ao Brasil de 1970, a ambientação ocorre nos dias atuais. Vamos conhecer o “presídio dos famosos”, a Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, conhecida popularmente como Tremembé. Onde estiveram e/ou estão os condenados por crimes de grande repercussão midiática no país.

Realidade dramatizada

O diferencial da série Tremembé é ter a união do jornalismo com a dramaturgia. Os roteiristas contaram como foi o processo criativo até chegarem ao produto final. A roteirista Vera Egito comentou, inclusive, que de início tinha uma ideia bem diferente – algo que me deixou deveras curioso. A proposta seria fazer uma série ficcional com um serial killer, que iria atrás de cada um desses “famosos” no presídio. A equipe criativa teve a oportunidade de sonhar e desenvolver essa ideia.

Da forma que ela contou, fiquei me questionando: “gente, porque não fizeram assim”. Ao mesmo tempo, pensei: “tomara que isso saia um dia!”. Mas (infelizmente), quando levaram essas ideias para a produtora, houve uma devolutiva para a série ser “mais pé no chão”. Ou seja, mais realista.

O curioso é que o espectador tende a acreditar ser apenas ficção porque a série fica em uma linha tênue entre a dramaturgia e o jornalismo. Ela encena o que aconteceu, mas sem esquecer a parte do jornalismo, contando como e o quê eles fizeram. E o roteiro reforça em alguns pontos: “galera, isso realmente aconteceu!”.

E este foi um grande cuidado dos roteiristas. É importante trazer o lado humano (se é que posso afirmar algo assim) dos personagens, mas em momento algum romantizar a situação. Construir o roteiro da série foi um árduo trabalho, por ter a necessidade de contar quem são estes detentos. Mas de, ao mesmo tempo, trazer a realidade do que levou esses personagens até Tremembé. Até para que o espectador não fique com o sentimento de pena por condenados por crimes gravíssimos.

Choque de realidade

Juliana Rosenthal contou quando foi pela primeira vez visitar o presídio, acompanhada de Ullisses Campbell – que já havia ido outras vezes a Tremembé. Na ocasião, logo na chegada, era o momento da “saidinha”, quando os detentos podem deixar o presídio temporariamente para ver os familares.

Uma mulher a abordou, contando que ia ficar uns dias fora, mas que o filho foi levado para algum lugar e ela não sabia onde. Enfim, contou sua história. Juliana, também mãe, se comoveu e quis ajudá-la. Ela chamou Ullisses para dar uma carona até a rodoviária.

Depois, ainda abalada com a história da mãe, Ullisses a traz de volta à realidade. “Você sabe que, se ela está em Tremembé, é porque comteu algo muito grave, não é?”. Esse impacto foi grande para a Juliana, logo no seu primeiro dia visitando o local. Essa entre tantas outras histórias só ressaltam que não se podem acreditar em nada do que os detentos falam. Se estão presos lá, é porque fizeram algo gravíssimo.

“Ah, mas as pessoas não podem mudar?” Gente, não é por esse viés que temos de olhar essas histórias. Sim, estamos falando de seres humanos, passíveis a erros como todos. Mas temos que lembrar que toda ação tem sua consequência. E é isso que a série quer trazer para as pessoas.

Até porque muitos têm curiosidade sobre os casos. Às vezes, até beira um fanatismo pelos agressores – de uma forma preocupante. Mas o intuito dessa obra é trazer luz ao espectador. Mostrar o que ocorre em Tremembé. Sim, são presidiários. Mas todos têm susas questões pessoais e estão convivendo até cumprirem sua sentença por um erro grave do passado.

FRAPA e suas experiências

Participar desse painel me despertou o interesse tanto em assistir a série, quanto ler o livro de Ullisses Campbell. Obra, inclusive, que corri na Feira do Livro para garantir o meu. Felizmente aproveitei a presença dele em outro evento do FRAPA e garanti minha dedicatória.

Por hoje é isso meus queridos! Feliz por, mais uma vez, estar aprendendo e vivendo ótimas experiências no FRAPA. Vamos prestigiar as obras nacionais. Temos muito material de qualidade, graças a roteiristas que se empenham por muito tempo para que, no final, tenhamos um produto de qualidade. Um abraço e até nosso próximo encontro. Thi.

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