
Nesta quarta (5), acompanhei mais um pouco do que está acontecendo no FRAPA (Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre) deste ano. Tive o privilégio de participar de uma exibição, seguida de um debate com os roteiristas da nova série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” (HBO). Meus queridos, que baita série! Particularmente, não sou do público que maratona séries. Mas, depois desse primeiro capítulo, estou muito curioso para acompanhar o restante.
A série vai contar a história de Ângela Diniz, um ícone da alta sociedade mineira dos anos 1970. Uma mulher que ousou desafiar padrões e viver amores intensos até ser assassinada pelo companheiro, o bon-vivant Doca Street. Durante o julgamento, a defesa usou a tese da “legítima defesa da honra” para justificar as ações do acusado, apontando Ângela como culpada pela própria morte. Situação que causou a revolta da opinião pública.
Não vou entrar em detalhes da série, pois quero comentar um pouco sobre o bate-papo que tivemos com os roteiristas. A série surgiu com o desejo de adaptar o podcast “Praia dos Ossos”, da Rádio Novelo, para uma série dramatúrgica que contasse a história de Ângela, vítima de um feminicídio.
Após assistir ao primeiro episódio, conseguimos perceber o tom da série, que não quer ser sensacionalista. Não vai ser algo para chocar graficamente o espectador. Ou seja, não teremos cenas explícitas de violência ou algo do tipo. É uma série que vai, sim, abordar um tema extremamente preocupante até os dias de hoje, que é o feminicídio. Mas que, também, permite ver pequenos progressos, mesmo que a passos lentos, da nossa sociedade.
Na série, regredimos ao Brasil de 1976, onde vamos perceber logo de cara: as pessoas com maior poder aquisitivo conseguem impunidade dos seus atos. Se você era uma pessoa da alta sociedade, era como se as leis não se aplicassem a você. Principalmente se você for homem branco, com dinheiro e “status”.

Realidade permeada por absurdos
Agora, imagine a situação em que a mulher não está em um relacionamento saudável e opta pelo desquite. (Divórcio, no Brasil, só virou lei em 1977). Esse homem vai “abordá-la” e, em um momento de “nervos à flor da pele”, a alveja com tiros. Só essa descrição já nos choca. Mas, agora, você recebe a informação de que ele foi levado a juízo e inocentado por estar agindo em “legítima defesa da honra”.
Conseguem perceber o quão absurda era a realidade daquela época? É algo que, só de pensar, me causa repulsa. Pior: até alguns anos atrás esse argumento ainda era utilizado para beneficiar bandidos. Desculpem-me mas um homem que age dessa forma contra uma mulher, independente de quem seja, é um bandido.
Esse, dentre outros aspectos, são algumas situações que a série pretende abordar. De uma forma coerente, visto que os roteiristas tiveram um trabalho árduo para conseguir finalizar o texto para a série. Até porque não existe nenhum registro de Ângela. Eles tiveram de estudar muito sobre como as coisas funcionavam 50 anos atrás. Conseguiram entrevistar amigas dela para poder entender e dar voz para a personagem.
Eu saí do estudo de caso com um mix de sensações. Feliz por ter obras nacionais de qualidade disponíveis. Mas com esse sentimento de impotência de que situações assim ainda acontecem. E refletindo como podemos agir para que isso não ocorra mais.
A série estreia no dia 13 de novembro na HBO. Queridos, vale muito a pena conhecer essa história. Precisamos cada vez mais ter conhecimento das coisas, até para não termos um retrocesso e acabar caindo de novo em um Brasil assim.
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