ESTREIA EM 13 DE NOVEMBRO

No FRAPA, painel debate os desafios para produzir série sobre Ângela Diniz

Produção que será lançada na HBO não conta história de um assassino, nem de uma morte no Brasil dos anos 1970. Foco está em contar a vida de Ângela Diniz.

Crédito: Thiago Xavier / Agora RS
Crédito: Thiago Xavier / Agora RS
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Nesta quarta (5), acompanhei mais um pouco do que está acontecendo no FRAPA (Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre) deste ano. Tive o privilégio de participar de uma exibição, seguida de um debate com os roteiristas da nova série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” (HBO). Meus queridos, que baita série! Particularmente, não sou do público que maratona séries. Mas, depois desse primeiro capítulo, estou muito curioso para acompanhar o restante.

A série vai contar a história de Ângela Diniz, um ícone da alta sociedade mineira dos anos 1970. Uma mulher que ousou desafiar padrões e viver amores intensos até ser assassinada pelo companheiro, o bon-vivant Doca Street. Durante o julgamento, a defesa usou a tese da “legítima defesa da honra” para justificar as ações do acusado, apontando Ângela como culpada pela própria morte. Situação que causou a revolta da opinião pública.

Não vou entrar em detalhes da série, pois quero comentar um pouco sobre o bate-papo que tivemos com os roteiristas. A série surgiu com o desejo de adaptar o podcast “Praia dos Ossos”, da Rádio Novelo, para uma série dramatúrgica que contasse a história de Ângela, vítima de um feminicídio.

Após assistir ao primeiro episódio, conseguimos perceber o tom da série, que não quer ser sensacionalista. Não vai ser algo para chocar graficamente o espectador. Ou seja, não teremos cenas explícitas de violência ou algo do tipo. É uma série que vai, sim, abordar um tema extremamente preocupante até os dias de hoje, que é o feminicídio. Mas que, também, permite ver pequenos progressos, mesmo que a passos lentos, da nossa sociedade.

Na série, regredimos ao Brasil de 1976, onde vamos perceber logo de cara: as pessoas com maior poder aquisitivo conseguem impunidade dos seus atos. Se você era uma pessoa da alta sociedade, era como se as leis não se aplicassem a você. Principalmente se você for homem branco, com dinheiro e “status”.

Cena da série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”. Crédito: HBO / Divulgação

Realidade permeada por absurdos

Agora, imagine a situação em que a mulher não está em um relacionamento saudável e opta pelo desquite. (Divórcio, no Brasil, só virou lei em 1977). Esse homem vai “abordá-la” e, em um momento de “nervos à flor da pele”, a alveja com tiros. Só essa descrição já nos choca. Mas, agora, você recebe a informação de que ele foi levado a juízo e inocentado por estar agindo em “legítima defesa da honra”.

Conseguem perceber o quão absurda era a realidade daquela época? É algo que, só de pensar, me causa repulsa. Pior: até alguns anos atrás esse argumento ainda era utilizado para beneficiar bandidos. Desculpem-me mas um homem que age dessa forma contra uma mulher, independente de quem seja, é um bandido.

Esse, dentre outros aspectos, são algumas situações que a série pretende abordar. De uma forma coerente, visto que os roteiristas tiveram um trabalho árduo para conseguir finalizar o texto para a série. Até porque não existe nenhum registro de Ângela. Eles tiveram de estudar muito sobre como as coisas funcionavam 50 anos atrás. Conseguiram entrevistar amigas dela para poder entender e dar voz para a personagem.

Eu saí do estudo de caso com um mix de sensações. Feliz por ter obras nacionais de qualidade disponíveis. Mas com esse sentimento de impotência de que situações assim ainda acontecem. E refletindo como podemos agir para que isso não ocorra mais.

A série estreia no dia 13 de novembro na HBO. Queridos, vale muito a pena conhecer essa história. Precisamos cada vez mais ter conhecimento das coisas, até para não termos um retrocesso e acabar caindo de novo em um Brasil assim.

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