
O MARGS* (Museu de Arte do Rio Grande do Sul) apresenta a exposição “Nervo Óptico 50 anos – Um manifesto”. A inauguração ocorre no dia 24 de janeiro, às 10h30, em evento aberto ao público, e segue em exibição até 26 de abril.
A mostra revisita os 50 anos da “exposição-manifesto” que o MARGS apresentou em 1976, marcando a estreia do grupo de artistas conhecido como Nervo Óptico. Esta é considerada uma das mais importantes experiências e marcos históricos da arte de vanguarda da época no Sul do Brasil.
Ocupando três salas do 2º andar do Museu, a exposição traz uma ampla e abrangente reunião de trabalhos artísticos e documentação. O material tem relação com o período de atuação coletiva do grupo, até 1978.
O acervo pertence a coleções pessoais dos artistas e a acervos artísticos e documentais institucionais. Entre eles a Fundação Vera Chaves Barcellos, a Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, do Instituto de Artes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), e o próprio MARGS.
Pioneirismo e relevância
“No caso do Museu, a revisitação procura colaborar para o entendimento da função e da importância históricas da instituição no estímulo à reflexão crítica e atualizada sobre arte e na inserção e legitimação de novas gerações e concepções de arte”, comenta o diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol.
Assim, a exposição assinala o pioneirismo e a relevância das realizações dos artistas e da atuação do grupo para a compreensão das rupturas provocadas pela arte das décadas de 1960 e 70 e as suas repercussões para a produção artística posterior.
Parte de um programa expositivo
“Nervo Óptico 50 anos – Um manifesto” dá continuidade ao programa expositivo intitulado “História do MARGS como história das exposições”. Por meio dele, o Museu se dedica a trabalhar a memória da instituição abordando a sua história, as obras e a constituição do seu acervo.
A iniciativa desenvolve também a trajetória e a produção de artistas que nele expuseram, a partir de pesquisas curatoriais que resgatam e assinalam episódios, eventos e exposições emblemáticas do passado da instituição. Dessa forma, o objetivo é compreender a sua importância histórica e a repercussão no presente.
Produção e realização
A produção e realização é da equipe do Núcleo de Curadoria e Programa Público e demais setores do MARGS, com apoio da FVCB (Fundação Vera Chaves Barcellos). A mostra tem curadoria-geral do diretor do Museu, Francisco Dalcol, em interlocução com os artistas Clovis Dariano, Telmo Lanes e Vera Chaves Barcellos.
O MARGS é uma instituição da Sedac (Secretaria da Cultura). O plano de exposições e atividades educativas conta com patrocínio direto do Banrisul e através da Lei de Incentivo à Cultura Federal.
Sobre o Nervo Óptico
A “exposição-manifesto” de 1976 foi organizada pelos artistas Carlos Asp (1949), Carlos Pasquetti (1948-2022), Clovis Dariano (1950), Jesus (Romeo Galdámez) Escobar (1956-2025), Mara Alvares (1950), Romanita Martins (Disconzi) (1940), Telmo Lanes (1955) e Vera Chaves Barcellos (1938).
O evento teve dois dias de duração. Os artistas apresentaram uma produção inovadora, que explorava novos meios e linguagens. Entre eles séries fotográficas, fotoperformances, fotocópias, ambientes, livros de artista, objetos, textos impressos, proposições inventivas, filmes e slides projetados.
O ponto alto foi o lançamento público de um manifesto assinado coletivamente pelos artistas. Eles traziam uma crítica à influência do mercado na produção, propondo a necessidade de uma “nova mentalidade” artística. A iniciativa ganhou ampla repercussão na imprensa na época.
Entre 1977 e 1978, o grupo de artistas continuou atuando de forma conjunta. Ele realizou sessões artísticas e experimentais de criação, exposições coletivas e ações envolvendo o público. Com o objetivo de explorar meios alternativos de veiculação de suas obras, produziram 13 edições do “cartazete” impresso intitulado “Nervo Óptico – Publicação aberta à divulgação de novas poéticas visuais”, que acabaria emprestando o seu nome ao grupo.
Nessa experiência coletiva, que refletia nas artes visuais as profundas transformações dos anos 60 e 70, os artistas atuantes no “Nervo Óptico” desenvolveram um expressivo conjunto de trabalhos, gerando uma produção artística seminal para a renovação das linguagens em artes visuais e a consolidação da noção de arte contemporânea na história da arte sul-rio-grandense.
Serviço
Exposição “Nervo Óptico 50 anos – Um manifesto”
Onde: 2º andar expositivo do MARGS (Praça da Alfândega, s/n°, Centro Histórico de Porto Alegre)
Quando: Terça-feira a domingo, 10h às 19h (último acesso 18h). Em exibição até 26 de abril
Entrada gratuita
*Visitas mediadas para grupos e escolas mediante agendamento pelo e-mail: [email protected]
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