Críticas de cinema

O musical que vai dividir opiniões: leia a crítica de "O Beijo da Mulher Aranha"

Molina (Tonatiuh) é um preso político que divide a cela com Valentín (Diego Luna). Para fugir dos horrores da ditadura argentina, ele passa a narrar as histórias de seu musical de Hollywood favorito.

Diego Luna e Jennifer Lopez em "O Beijo da Mulher Aranha". Courtesy of Roadside Attractions
Diego Luna e Jennifer Lopez em "O Beijo da Mulher Aranha". Courtesy of Roadside Attractions
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Sejam muito bem-vindos! Meus queridos, que prazer estar de volta. A todos um feliz Ano-novo! E bora dar um start no nosso calendário dos filmes de 2026? Então pegue seu refresco favorito, pois esse clima de verão pede algo mais refrescante. Nosso papo hoje é sobre o novo musical de Bill Condon, “O Beijo da Mulher Aranha” (Paris Filmes, 2025).

Nessa nova versão, Valentín (Diego Luna) é um preso político da ditadura argentina nos anos 1980. Ele divide a cela com Molina (Tonatiuh), um ex-decorador de vitrines que foi detido por atentado ao pudor. Reconhecido como um homem gay, Molina passa a narrar para o seu companheiro as histórias de seu musical de Hollywood favorito, um drama colorido e espetacular protagonizado por sua atriz predileta Ingrid Luna (Jennifer Lopez).

Sabe o que volta e meia falo aqui sobre expectativas? Acho que esse é nosso maior vilão (risos). Quando fui pesquisar sobre esse filme, para fazer o quadro DPZ no Cinema (se você ainda não sabe o que é precisa nos acompanhar nas redes sociais). Me despertou o interesse por dois motivos: 1- ser um filme musical e 2- ser dirigido por Bill Condon.

Admito que não sou muito apegado a nomes/diretores mas ele fez um dos meus musicais favoritos, “DreamGirls” (DreamWorks/Paramount, 2006). E apesar de não gostar da atuação da Emma Watson, eu gosto muito do live action de “A Bela e a Fera” (Disney, 2017), do qual também dirigiu. Então, sem querer, eu criei expectativas para esse filme porque ele consegue deixar até os créditos finais interessantes de se assistir.

Eu gostei do filme? Acredito que sim. Odiei o filme? Definitivamente não! Ele é um musical diferente do convencional e, talvez por isso, ainda fico em dúvidas para dizer se gosto ou não. Às vezes o diferente pode ser bom. Ele não é um musical estilo La La Land (Paris Filmes, 2016) em que as músicas vão surgindo espontaneamente dando segmento a trama.

O que me pegou, e que gerou um estranhamento, é justamente não ter essa espontaneidade, a “surpresa” de ter um número musical. Como estamos acompanhando Molina contando sobre o seu musical favorito, nós – como espectadores – já sabemos “bom, agora vai vir uma música”. E esse filme acredito que retrata muito bem o sentimento de quem, como eu, gosta de filmes musicais: eles nos fazem sair da realidade, ou melhor dizendo, a ver a realidade com outros olhos.

Devo dizer que os números musicais são grandiosamente belos. O que pontua bem o contraste da realidade dos personagens para os momentos de fuga em um refúgio “Technicolor”. Isso traz um contraste bem interessante com “Wicked” (Universal Pictures), onde temos cenários grandiosos, tudo muito exuberante, magnífico, etc. E “O Beijo da Mulher Aranha” consegue trazer essa grandiosidade com uma simplicidade que realmente chama atenção. Como algo simples consegue ser tão lindo!

Tonatiuh e Jennifer Lopez em “O Beijo da Mulher Aranha”. Courtesy of Roadside Attractions

Teve dois pontos que não curti tanto no filme, um dos motivos que quero assistir novamente. Pra ver se consigo assistir sem esse preconceito. Jennifer Lopez é uma grande artista, ponto. Isso é inegável. Mas eu queria ver mais a personagem e não a JLo. Eu acho que a persona da cantora latina rouba muito os holofotes no filme e fico com a sensação de estar assistindo uma performance impecável dela e não ao enredo do filme.

E aqui entra o segundo ponto: eu queria mais sobre o Valentín e Molina. Queria ter me envolvido e conhecido mais sobre eles. Eu assisti ao filme e fiquei com a sensação de ter perdido algo, algum detalhe. Sei que Molina usa dos musicais para sair da realidade, mas eu também queria conhecer mais da realidade dele.

“O Beijo da Mulher Aranha” vai ser o clássico tipo de musical: ame ou odeie. Ele tem uma estrutura diferente, mas tem tudo o que um grande musical pede: high notes, figurinos maravilhosos, muita dança… Tudo isso com muita cor e alegria. Esse contraste do real com o ficcional é deveras interessante. Mas queria ter me conectado mais com os personagens.

Se você é fã de musical, vale a experiência. Quero assistir novamente, mas acho que vai entrar na lista de bons filmes. Definitivamente não é uma obra que te ofende (Oi, “Cats”). E assim damos o passo inicial com nossas conversas de 2026. Vejo vocês no nosso próximo encontro. Um abraço, Thi.

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