Críticas de cinema

"Marty Supreme" é a romantização da megalomania

Marty Reisman (Timothée Chalamet) não medirá esforços – e mentiras – para alcançar seus sonhos. Tecnicamente é um bom filme. Receber um prêmio de atuação? Sei não...

Crédito: Diamond Films
Crédito: Diamond Films

Olá, dropzeiros de plantão! Como vocês estão? Hoje nosso papo vai ser sobre “Marty Supreme” (A24/Diamond Films). Filme que deu o Globo de Ouro para Timothée Chalamet, como melhor ator em comédia ou musical. A questão é: mereceu ou não?! Então, peguem suas raquetes de pingue-pongue e vamos debater sobre esse longa.

Em “Marty Supreme”, um malandro se torna uma das grandes lendas norte-americanas do tênis de mesa. Seu nome: Marty Reisman (Timothée Chalamet). Ele não medirá esforços – e mentiras – para alcançar seus sonhos megalomaníacos, nem mesmo se for preciso roubar. Indo contra aqueles que duvidaram dele, o jogador alcança a grandeza em torneios internacionais.

Queridos, lembram quando comentei na conversa sobre “Ato Noturno”, sobre a diferença entre as pessoas terem de se moldar para serem aceitas com querer maquiar a índole ou o mal-caratismo para poder conquistar o que querem? Pois então, nesse longa teremos um exemplo disso.

Tecnicamente é um bom filme. Receber um prêmio de atuação? Sei não… Mas, né, quem sou eu para julgar. Porém, analisando friamente, começo a pensar que ele romantiza quem usa dos outros para conseguir o que quer. Sendo bem sincero: parece um adolescente birrento e mimado que, enquanto ele não tem o que quer, não vai dar sossego.

Nossa, já comecei detonando o filme. Mas, gente… Vamos começar que a sinopse dele diz uma coisa. Tanto que, quando fomos gravar para o DPZ no Cinema de janeiro, duas coisas me despertaram a curiosidade: como um traficante vai virar um atleta e vencer um campeonato aos 67 anos. Nada disso tem no filme! Inclusive fiquei preocupado de ter me confundido e entregue uma informação errada. Mas, não! A sinopse divulgada, que inclusive está nos cinemas, é essa mesmo.

Que Marty Reisman foi um grande jogador de tênis de mesa, lendário, isso não se pode negar. É a história dele. Mas a forma como isso tudo se constrói no filme, me deixa um tanto receoso. Eu não conheço a história dele, mas o que o filme mostra é um jovem vivendo sem limites e que não encara as consequências.

É como se fosse um GPS constantemente recalculando rota. Ah, Thiago… Mas quer dizer que não devemos correr atrás dos nossos sonhos? Muito pelo contrário, mas precisamos arcar com as consequência das nossas ações. O que, nesse filme, só mostra como o personagem consegue tirar vantagem de alguma pessoa. E dane-se se a pessoa tem família, se deu algum tipo de prejuízo para outros, se usou de alguma situação para poder se esquivar da lei…

O importante é ele mostrar para as pessoas que ele é um grande jogador, é seguir o seu propósito, realizar os seus sonhos em detrimento de quem está no entorno. Inclusive no próprio trailer fala: “Eu tenho um propósito. Isso significa que tenho a obrigação de cumprir algo especifico e isso envolve sacrifícios”. E, realmente, seria algo emocionante e lindo… No entanto, conforme você assiste, te causa uma sensação estranha. Mas se você trazer a realidade à tona, se torna alguém que não o apoia. “Se não me apoia, está contra mim, então eu viro as costas.” Será que é assim que as coisas têm de ser?

Vou trazer um outro exemplo aqui. No final do ano tivemos o filme “Asa Branca”, que mostra que o personagem-título era alguém talentoso, mas que também tomou algumas atitudes erradas. Ele até tentou ignorar os problemas, mas faz parte da vida! O longa consegue construir uma história coerente, mostrando que, sim, a pessoa errou, mas que foi lá e assumiu com as consequências dos seus atos. O que difere muito de “Marty Supreme”.

Para não dizer que o personagem não teve um “arco de redenção”, nos minutos finais, depois de duas horas de filme, ele volta para casa para “assumir” a consequência de um de seus atos. O filme acaba e fica meio subentendido que talvez, quem sabe, agora ele vai sofrer as consequências. Mas a gente não sabe, porque já subiram os créditos. Duas horas e trinta minutos de filme para deixar várias pontas soltas, com cenas e situações sem necessidade porque não acrescenta ou muda nada na história…

Eu não odiei o filme, mas ele podia ser mais curto se era para ser só isso. Ele tem uma fotografia, ambientação e caracterização ótimas. Inclusive a trilha é muito boa. Talvez as pessoas possam se deixar levar pela trilha e achar bom. Mas, depois, quando você para e pensa sobre o que assistiu, fica a sensação de que estão romantizando a pessoa ser um babaca que não sabe ouvir um “não”.

Mas e você, conhece a história desse jogador? Está curioso para assistir esse filme? Quero saber sua opinião. Um forte abraço, Thi.

Seu negócio no Agora RS!

Fale com nosso time comercial e descubra como veicular campanhas de alto impacto, personalizadas para o seu público.