

Olá, meus queridos! Hoje a cabine de imprensa teve um toque diferente. Uma por ser na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana. Mas, também, por ser de um longa nacional, filmado em Porto Alegre. Então se aconchegue na poltrona e vamos conversar sobre “Ato Noturno” (Vitrine Filmes, 2025). Preparados? Luz, câmera, ação!
Foi uma alegria imensa me aproximar do Cinema Nacional no ano passado. Visto que minha primeira cabine de imprensa foi de “A Melhor Mãe do Mundo”. Nesse meio ano acompanhando os lançamentos, tive excelentes experiências com os títulos nacionais em sua grande maioria. O que reforça mais ainda que o nosso cinema tem muito potencial, sim! E nós como brasileiros precisamos prestigiar essa arte.
Bom, voltando ao filme da vez:
Em “Ato Noturno”, um jovem ator e um político entram em um caso secreto e, juntos, descobrem desejos sexuais em comum. Na trama, Matias (Gabriel Faryas) é um ator iniciante que deseja crescer em sua carreira. Ele disputa o papel de galã de uma série de TV com o seu companheiro de quarto, criando tensões em casa. Mas o teste e a rivalidade não se comparam com o real desafio, já que caso consiga o papel ele terá que esconder sua sexualidade do público. Os riscos na vida de Matias se aprofundam quando ele entra em um caso com Rafael (Cirillo Luna) um político local que está no armário.
E, queridos, uma frase que volta e meia eu repito: como é bom ver o nosso cinema brilhar! Sou um espectador que se encanta aos detalhes e, nessa obra, tudo é muito bem pesado e executado. Até mesmo o título ao trazer esse tom mais “sombrio” para a história. Dessa vez não temos viagem no tempo a um Brasil de antigamente. Vamos mergulhar de cabeça na realidade. A realidade de quem faz de tudo para conquistar seus sonhos, só que para realizar alguns deles, há um preço a se pagar.
Há quem veja esse filme só pelo viés erótico e sensual de duas pessoas se conhecendo e se deixando descobrir pelos desejos em comum. Mas ele aborda muitas outras camadas. Aliás, um dos objetivos das nossas conversas é exatamente isso: não quero que vocês vivenciem só o raso que as obras podem proporcionar. O longa é muito além do que cenas “quentes”. Infelizmente, vai ter aquela porcentagem de pessoas que vai olhar só por esse prisma e ver formas de problematizar. Esse é o problema de ficar só no raso.

Quantos de nós já não almejou ser um artista, jogador de futebol, apresentador, cantor, ter uma profissão respeitada, etc… Mas a gente só vê as partes boas que o estrelato causa. Isso me fez lembrar de uma das falas de Celine Dion em seu documentário – inclusive muito bom #ThiIndica. Em que ela diz que já visitou diversos lugares do mundo, mas que não pode conhecer praticamente nenhum. Você já parou para pensar o quanto uma pessoa pública tem de abrir mão?!
Essa foi uma das questões que mais chamou a minha atenção, o quanto duas pessoas têm de preservar a sua vida pessoal. Até mesmo se privar de coisas simples: de assumir um relacionamento, só porque não é “bem visto” aos olhos da sociedade. E nem vou entrar no viés erótico que o longa aborda, mas o quanto – ainda em 2026 – uma relação entre dois homens ainda provoca olhares tortos. Um candidato a prefeito ter um namorado? Um galã de uma série ser assumido? Infelizmente, vivemos muito preconceito ainda.
Estamos caminhando para um Brasil livre do preconceito? Sim, mas ainda há uma longa caminhada pela frente. Quantos atores em início de carreira podem bater no peito e ser quem realmente são sem o receio de um “boicote”? Quantos candidatos não tem de parecer o cidadão perfeito para poder conquistar a confiança das pessoas. E não estou falando da índole de cada um. Maquiar o mal-caratismo para poder conquistar as coisas, até porque sabemos que a mentira cedo ou tarde é desmascarada. Mas me refiro o quanto ainda as pessoas têm de se moldar aos “padrões aceitos”.
Até quando as pessoas conseguem se anular para serem aceitas? Outro momento que me marcou foi um dos diálogos entre os personagens, quando eles abordam sobre essa questão de se tornar aquilo que as pessoas querem. Que, com o passar do tempo, fica mais fácil, afinal é tudo um teatro. E, queridos, talvez vocês não conseguem perceber o peso dessas palavras?
Aqui tomo a liberdade de fazer um breve desabafo. Por muito tempo eu tinha medo de expressar meus sentimentos, principalmente quando estava triste. Mantinha sempre o pensamento de “as pessoas não querem essa versão do Thiago”. Era aí que a atuação da minha vida entrava, não me permitindo expressar minhas tristezas. Hoje, graças a uma rede de apoio incrível e muita terapia, eu consigo minimizar o modo Mary Poppins “Practically perfect in every way“.
No final das contas, até que ponto vale a pena a gente se tornar aquilo que as pessoas querem?

Como mencionei no início, eu me encanto aos detalhes. E o fato de essa vida dupla dos personagens ser na penumbra da noite, dá mais peso ainda ao título. A vida deles acontece mesmo no Ato Noturno. Onde eles podem ser eles mesmos, longe dos olhares acusadores das pessoas, longe dos holofotes e das diversas exigências que eles têm de cumprir.
Assistir esse filme foi uma experiência visceral. Tanto que estou até o momento em que escrevo para vocês me questionando “o que foi que eu acabei de assistir”. Esse, com certeza, vou acabar pegando um novo detalhe a mais ou uma nova reflexão cada vez que assistir novamente – assim como “Ainda Estou Aqui”, “O Agente Secreto” ou “Cyclone”.
Apesar da temática um tanto adulta, por assim dizer, é um filme lindo visualmente. É absurdo ver como conseguiram captar ângulos tão únicos de ruas e lugares que passo corriqueiramente. Ver a beleza do Theatro São Pedro, a Praça da Matriz… Sério, é um espetáculo visual esse filme.
Para encerrar quero dizer: viva o Cinema Nacional! Esse ano começou da melhor forma possível nos cinemas. Assistam “Ato Noturno”, que estreia nesta quinta-feira (15), e vamos debater sobre esse filme. Um grande abraço. Thi
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