RISCO DE NOVA PANDEMIA?

Surto de vírus Nipah na Índia coloca países asiáticos em alerta

Doença tem alta letalidade, não possui vacina e levou à quarentena de mais de 100 pessoas

Surto de vírus Nipah na Índia coloca países asiáticos em alerta

A Índia enfrenta um novo surto do vírus Nipah, patógeno de alta letalidade que circula em países da Ásia desde o fim da década de 1990. O episódio levou autoridades de saúde a colocarem cerca de 110 pessoas em quarentena no Estado de Bengala Ocidental.

Entre os monitorados estão dois profissionais de saúde que receberam atendimento no início de janeiro após contato com casos confirmados da doença. Ambos chegaram a testar negativo inicialmente, mas permaneceram sob observação como medida preventiva.

O vírus Nipah pode provocar infecções respiratórias graves e encefalite — inflamação do cérebro — e apresenta taxa de letalidade estimada entre 40% e 75%. Não há vacina nem tratamento específico disponível.

Países vizinhos reforçam controles

O novo surto levou países da região a intensificarem medidas de vigilância sanitária, especialmente em aeroportos e pontos de fronteira.

No Nepal, autoridades passaram a realizar triagens de passageiros no aeroporto internacional de Katmandu e em áreas de fronteira com a Índia. A Tailândia também anunciou protocolos adicionais de controle em aeroportos com voos procedentes de Bengala Ocidental.

Segundo autoridades sanitárias tailandesas, os aeroportos de Don Mueang, Suvarnabhumi e Phuket adotaram medidas como triagem de passageiros, reforço na limpeza de áreas comuns e coordenação com postos internacionais de controle de doenças. No aeroporto de Suvarnabhumi, 332 passageiros oriundos da Índia foram examinados, sem registro de casos suspeitos.

Até o momento, não há infecções por Nipah registradas na Tailândia.

Doença é considerada prioridade global

O vírus Nipah integra a lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de doenças que exigem pesquisa prioritária, ao lado de patógenos como Ebola, Zika e covid-19, devido ao potencial de causar surtos de grande escala.

A infecção é considerada zoonótica, ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos. Os principais reservatórios naturais são morcegos frugívoros, mas a transmissão também pode ocorrer por meio de porcos, alimentos contaminados e contato direto entre pessoas infectadas.

Surtos são registrados quase anualmente em partes da Ásia, principalmente em Bangladesh e na Índia. Em episódios anteriores, o consumo de frutas ou derivados contaminados por saliva ou urina de morcegos foi apontado como uma das principais vias de infecção.

Sintomas e evolução da infecção

Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para alterações neurológicas, convulsões, pneumonia severa e coma em até 48 horas.

O período de incubação costuma variar entre quatro e 14 dias, mas há registros de intervalos mais longos, que podem chegar a 45 dias.

Histórico de surtos

O primeiro surto de Nipah foi registrado em 1999, na Malásia, causando mais de 100 mortes e levando ao abate de cerca de um milhão de porcos para conter a disseminação. Casos também foram registrados em Singapura, Bangladesh e diferentes regiões da Índia.

O Estado indiano de Kerala, por exemplo, enfrentou surtos em 2013 e 2018, controlados por meio de testagem em larga escala e isolamento rigoroso de contatos.

Segundo a OMS, há evidências da circulação do vírus em morcegos de países como Camboja, Indonésia, Filipinas, Madagascar, Gana e Tailândia, o que mantém a doença sob monitoramento permanente.

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