Protestos contra o regime do Irã avançaram para a segunda semana neste sábado (10) e seguem com registros de mortes, prisões e repressão em diferentes cidades do país. As manifestações começaram no fim de dezembro, em meio à deterioração da economia e à alta da inflação, e passaram a incluir pedidos pelo fim do sistema teocrático.
Organizações de direitos humanos citadas em relatos internacionais afirmam que a repressão já deixou dezenas de mortos desde o início dos atos. A ONG Hrana, que monitora a situação, aponta ao menos 65 mortes, incluindo manifestantes e integrantes das forças de segurança, além de cerca de 2.300 pessoas presas. Outras entidades citadas por veículos internacionais indicam números diferentes, em razão da dificuldade de acesso a informações no país.
Na quinta-feira (8), autoridades iranianas impuseram um apagão de internet, o que dificultou a verificação independente da dimensão dos protestos. Mesmo assim, imagens e vídeos divulgados nas redes sociais e por grupos de oposição mostram multidões nas ruas e registros de incêndios e confrontos em diferentes regiões, incluindo Teerã.
O que está acontecendo no Irã
Os protestos foram desencadeados por dificuldades econômicas acumuladas ao longo dos últimos anos, em um contexto de sanções internacionais relacionadas ao programa nuclear iraniano. Conforme análises citadas no material de origem, a moeda do país perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar ao longo de 2025, o que elevou custos, pressionou o orçamento das famílias e atingiu negócios que dependem de importações.
Com o avanço dos dias, os atos passaram a mirar diretamente o regime iraniano. Relatos de testemunhas e registros em redes sociais mostram manifestações com palavras de ordem contra o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e contra o governo. Observadores também comparam o movimento às grandes manifestações de 2022, após a morte de Mahsa Amini sob custódia policial, quando o país registrou uma onda prolongada de protestos.
Reação do regime
O líder supremo Ali Khamenei classificou os manifestantes como “vândalos” e acusou o movimento de atuar em favor de interesses estrangeiros. Chefes do Judiciário e dos órgãos de segurança também anunciaram medidas mais duras, afirmando que haverá punições e que não será adotada tolerância com os atos.
A mídia estatal iraniana afirmou que prédios públicos foram atacados e exibiu imagens de funerais de integrantes das forças de segurança que, conforme a versão oficial, morreram em confrontos. A Guarda Revolucionária atribui os protestos a “terroristas” e afirma que proteger edifícios públicos é uma “linha vermelha”.
Sinais de pressão interna também foram citados em relatórios internacionais: em meio à crise, o chefe do Banco Central renunciou e o presidente Masoud Pezeshkian nomeou um novo comandante para a instituição. Pezeshkian reconheceu queixas do público e declarou que o poder público precisa responder, mas o governo mantém o discurso de que forças externas buscam desestabilizar o país.
Repercussão internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (10) que seu país está “pronto para ajudar” os manifestantes. Autoridades iranianas reagiram afirmando que qualquer interferência externa receberá resposta e, em declarações anteriores, citaram possibilidade de ataques a bases e forças americanas na região.
Conforme relatos internacionais, as autoridades do Irã acusam Estados Unidos e Israel de fomentarem os protestos, enquanto o bloqueio de internet dificulta a confirmação independente de números e fatos em tempo real.
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