O governo do Irã afirmou que manifestantes envolvidos nos protestos contra o regime podem ser condenados à pena de morte. A declaração ocorre enquanto um grupo de ativistas que monitora a situação diz que o número de mortos subiu para 203 neste domingo (11), em meio ao aumento da repressão e a denúncias de violência policial.
Conforme o procurador-geral iraniano, Mohammad Movahedi Azad, ativistas poderão ser processados como “inimigos de Deus”, acusação que, de acordo com a legislação do país, é punível com pena capital. Segundo ele, o enquadramento atingiria pessoas acusadas de “danificar propriedades” e “minar a segurança”, além de “quem as ajudou”.
Os protestos começaram no fim de 2025, impulsionados pela crise econômica, e ganharam força no início de 2026. Nos últimos dias, as manifestações passaram a incluir pedidos pela queda do regime teocrático liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Número de mortos e prisões
De acordo com a HRANA, organização que acompanha violações de direitos humanos no Irã, o total de mortos nos protestos chegou a 203. O total, no entanto, ainda é incerto. Outras estimativas apontavam dezenas de mortes e milhares de presos, com dificuldade de checagem em razão de restrições e interrupções de internet.
Ainda as agências internacionais, a mídia ligada à Guarda Revolucionária divulgou um balanço próprio com mortes entre integrantes das forças de segurança em confrontos nos últimos dias.
Reação do regime e risco de escalada
O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou que o nível de confronto contra manifestantes “se intensificou”. O presidente Masoud Pezeshkian pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e badernistas” e disse estar disposto a “ouvir o povo”, ao mesmo tempo em que acusou Estados Unidos e Israel de incentivar instabilidade no país.
O líder supremo Ali Khamenei declarou na sexta-feira (9) que o governo “não vai recuar” e chamou manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”, em pronunciamento transmitido pela TV estatal. Ali Larijani, conselheiro de Khamenei e ligado à área de segurança, disse que o país estaria “em plena guerra” e citou influência externa em parte dos incidentes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que seu país está “pronto para ajudar” os manifestantes e ameaçou agir caso o regime mate civis durante os protestos. Autoridades iranianas responderam com ameaças de retaliação. Conforme a Reuters, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou que, em caso de ataque ao Irã, Israel e bases e navios dos Estados Unidos na região seriam “alvos legítimos”.
Por que os protestos cresceram
Os atos ocorrem em um cenário de pressão econômica no Irã, com sanções ocidentais ligadas ao programa nuclear e impactos sobre a moeda e o custo de vida. A instabilidade regional recente, além de novas medidas de sanções relacionadas ao tema nuclear no segundo semestre do ano passado também se tornaram combustível para as manifestações.
O Irã é governado desde 1979 por um regime teocrático instaurado após a Revolução Islâmica, que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi. Nos últimos dias, o nome de Reza Pahlavi, filho do último xá e opositor no exílio, voltou a aparecer em mensagens de apoio a protestos.
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