CRISE POLÍTICA

Congresso do Peru destitui a presidente Dina Boluarte

Parlamentares aprovaram impeachment por “incapacidade moral”. José Jeri assume a presidência interina

José Enrique Jerí Oré toma posse como presidente do Peru. Crédito: (autor não creditado) / Congresso do Peru
José Enrique Jerí Oré toma posse como presidente do Peru. Crédito: (autor não creditado) / Congresso do Peru
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O Congresso do Peru aprovou na madrugada desta sexta-feira (10) o impeachment da presidente Dina Boluarte, encerrando um mandato de quase dois anos marcado por instabilidade, protestos e denúncias de corrupção.

Com a decisão, o atual presidente do Congresso, José Jeri, de 38 anos, assumiu imediatamente a presidência interina do país. Ele ficará no cargo até as próximas eleições gerais, previstas para abril de 2026.

Com a decisão, Dina Boluarte torna-se o terceiro presidente cassado pelo Congresso do Peru nos últimos nove anos. Outros dois renunciaram antes de serem destituídos, e apenas um completou um mandato interino nesse período.

Na posse, José Jeri afirmou que o combate ao crime organizado será prioridade imediata. “O principal inimigo está nas ruas: são as gangues criminosas. Vamos declarar guerra a elas”, disse.

Votação rápida e ampla maioria

O processo de impeachment foi baseado na alegação de “incapacidade moral permanente” da mandatária. A votação aconteceu horas após Boluarte ser intimada a comparecer ao plenário — o que não ocorreu.

O resultado foi 122 votos favoráveis à destituição, com apoio até de partidos que antes sustentavam o governo. A defesa da ex-presidente alegou falta de tempo para preparar os argumentos e denunciou violação do devido processo legal.

Do lado de fora do Congresso, em Lima, manifestantes comemoraram a saída da presidente com cartazes como “Abaixo Dina”.

Logo após o impeachment, a ex-presidente divulgou um vídeo em que defende sua gestão. “Em todos os momentos, clamei por unidade. Não pensei em mim, mas nos mais de 34 milhões de peruanos.” Ela nega as acusações e afirma que foi alvo de perseguição política.

Um governo sob pressão desde o início

Boluarte chegou ao poder em dezembro de 2022, após a queda de Pedro Castillo, que tentou um autogolpe, e enfrentou rejeição popular desde os primeiros dias de governo.

Seu mandato foi marcado por:

  • Mais de 50 mortes em repressões a protestos;
  • Escândalos como o “Rolexgate”, envolvendo joias não declaradas;
  • Aumento de salário pessoal que gerou críticas;
  • Protestos contra a nova lei que obriga jovens a contribuir com fundos de pensão;
  • Explosão da criminalidade e extorsão em redes organizadas.

Além disso, investigações por corrupção, denúncias de omissões patrimoniais e tentativas anteriores de impeachment minaram ainda mais sua sustentação política.

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