CALOR INTENSO

Estiagem e calor provocaram queda de até 28% na produção de leite no RS

Boletim da Secretaria da Agricultura estima perdas diárias de até 40 litros por vaca durante o verão.

Crédito: Fernando Dias/Seapi
Crédito: Fernando Dias/Seapi

Os eventos meteorológicos extremos registrados durante o verão 2024/2025 afetaram gravemente a produção leiteira no Rio Grande do Sul. A estiagem prolongada e as sucessivas ondas de calor geraram prejuízos consideráveis. Os impactos estão na queda da produção de leite, na redução da eficiência reprodutiva das vacas e no aumento da suscetibilidade a doenças, como a mastite.

Os dados constam no Comunicado Agrometeorológico nº 83, elaborado pela Seapi (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação). O documento faz parte de um esforço técnico do Grupo de Estudos em Biometeorologia, que monitora os efeitos das condições climáticas sobre a pecuária leiteira.

A pesquisa se debruçou sobre três meses decisivos: dezembro de 2024, janeiro e fevereiro de 2025. De acordo com Ivonete Tazzo, agrometeorologista e uma das autoras do boletim, o estudo mediu a precipitação, a temperatura e a umidade do ar com base no ITU (Índice de Temperatura e Umidade). Com isso, foi possível identificar os níveis de conforto e desconforto térmico aos quais os animais foram submetidos ao longo do verão.

A partir da análise dos dados, foi estimada a redução da produção diária de leite em vacas leiteiras. Conforme o boletim, houve declínios de produtividade entre 24,5% e 28% em várias regiões do estado. Em alguns casos extremos, a queda chegou a 40 litros por vaca por dia.

Situação crítica em fevereiro

No mês de fevereiro, a situação foi ainda mais crítica. Apenas 28,3% das horas analisadas registraram condições de conforto térmico para os animais. O restante do tempo foi marcado por temperaturas superiores a 35°C e chuvas mal distribuídas. Ocorreram efeitos particularmente intensos nas regiões Central, Campanha e Noroeste, esta última responsável por boa parte da produção de leite no estado.

A médica veterinária Adriana Tarouco, também autora do comunicado, chamou atenção para o fato de que todas as regiões do estado apresentaram condições de estresse calórico, inclusive aquelas que tradicionalmente não registram esse tipo de evento climático, como a Serra do Nordeste.

Ela ressalta que o verão impôs desafios mesmo a produtores mais experientes. “Foi necessário adotar medidas emergenciais de manejo para mitigar os prejuízos e evitar perdas ainda maiores”, afirmou. Entre essas estratégias, destacam-se o fornecimento adequado de água e sombra, o uso de ventiladores e aspersores, além da suplementação alimentar.

O estudo também forneceu mapas que detalham a espacialização do ITU, indicando onde os níveis de desconforto térmico foram mais intensos. Isso ajuda os produtores a se prepararem melhor para eventos futuros semelhantes, além de orientar políticas públicas voltadas ao setor.

A publicação é uma das ações do Grupo de Estudos em Biometeorologia da Seapi, que reúne pesquisadores e bolsistas das áreas de Agrometeorologia e Produção Animal. O objetivo do grupo é fornecer informações técnicas que ajudem a prevenir prejuízos na pecuária diante das mudanças climáticas.