
O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da antiga Reag Investimentos, hoje CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.. A instituição financeira é citada nas suspeitas de fraudes investigadas em apuração ligada ao Banco Master.
A medida foi anunciada um dia após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero. A ação teve como alvos, entre outros, a empresa e o fundador e ex-CEO João Carlos Mansur.
Conforme o Banco Central, a decisão foi tomada por “graves violações às normas” que regulam instituições do Sistema Financeiro Nacional. O órgão afirmou que seguirá adotando medidas dentro de suas competências para apurar responsabilidades.
Como ficam os credores?
Com a liquidação, os bens de controladores e de ex-administradores ficam indisponíveis. Isso impede a venda ou transferência desses ativos, mecanismo previsto em lei para evitar a dilapidação de patrimônio durante a apuração.
O Banco Central apontou que a instituição se enquadra no segmento S4. Essa classificação é aplicada a instituições de menor porte e menor risco à estabilidade do Sistema Financeiro Nacional, com regulação mais simplificada do que a exigida de empresas maiores.
A CBSF atuava sobretudo na administração de cerca de 90 fundos de investimento. Com a liquidação da empresa, esses fundos seguem existindo, mas deverão buscar uma nova gestora para a administração dos recursos.
Suspeita de operações fraudulentas
Conforme a investigação, a suspeita é de que fundos administrados pela instituição tenham sido usados em operações fraudulentas ligadas ao Banco Master, com movimentações para ocultar o beneficiário final do dinheiro. O texto menciona que as fraudes poderiam superar R$ 11 bilhões e envolver desvio de recursos para abastecer patrimônio pessoal de envolvidos, incluindo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e parentes.
A apuração foi levada ao STF (Supremo Tribunal Federal), sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que autorizou as diligências da operação. Em paralelo, o TCU (Tribunal de Contas da União) também acompanha o caso, com discussão sobre medidas de fiscalização envolvendo procedimentos do Banco Central.
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