LÍDER DA OPOSIÇÃO

María Corina Machado vence Nobel da Paz por luta democrática na Venezuela

Ativista venezuelana foi premiada por sua atuação pacífica pela democracia e pelos direitos humanos

<a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:18_October_2014_Venezuela_protest_2_-_MCM.jpg">Carlos Díaz</a>, <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0">CC BY 2.0</a>, via Wikimedia Commons
Carlos Díaz, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
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A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi anunciada nesta sexta-feira (10) como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, em cerimônia realizada em Oslo, na Noruega.

Segundo o comitê, Machado foi reconhecida por seu “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano” e por representar “um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”.

A ativista receberá 11 milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 6,2 milhões). Ela também conquistou, em 2024, o Prêmio Sakharov, a maior honraria da União Europeia em defesa da liberdade de pensamento.

O comitê destacou que a Venezuela mergulhou em uma crise humanitária e econômica sob o regime de Nicolás Maduro, caracterizado por censura à imprensa, perseguição à oposição, prisões arbitrárias e fraude eleitoral. O país já registra mais de 8 milhões de pessoas deslocadas e enfrenta níveis extremos de pobreza.

“Chama da democracia em meio à escuridão”

Machado, de 57 anos, era a principal candidata da PUD (Plataforma Unitária Democrática) nas eleições venezuelanas. Mas acabou impedida de concorrer pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral), sob controle do chavismo.

Para o comitê do Nobel, “a democracia é uma condição prévia para a paz duradoura”, e o prêmio reconhece líderes que se erguem em defesa da liberdade mesmo diante da repressão. “Machado mantém a chama da democracia acesa em meio à escuridão crescente”, diz o comunicado oficial.

O presidente do comitê, Jorgen Watne Frydnes, reforçou que a escolha atende aos critérios originais estabelecidos por Alfred Nobel: promover fraternidade entre nações, reduzir a militarização e trabalhar pela paz.

Trump é preterido, e Casa Branca reage

A decisão do comitê contrariou expectativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que buscava a premiação após mediar o cessar-fogo entre Israel e Hamas. A Casa Branca expressou insatisfação, e o porta-voz Steven Cheung afirmou que Trump “seguirá fazendo acordos de paz e salvando vidas”.

O comitê, no entanto, descartou qualquer influência política. “Recebemos milhares de cartas todos os anos, mas nossas decisões se baseiam exclusivamente no trabalho e na vontade de Alfred Nobel”, afirmou Frydnes.

Perfil da premiada

Nascida em 1967, María Corina Machado é engenheira, ex-deputada e fundadora da organização Súmate, dedicada à fiscalização eleitoral. Ela se tornou uma das principais vozes da oposição democrática ao regime de Nicolás Maduro, denunciando abusos e defendendo uma transição pacífica.

Machado segue impedida de disputar eleições no país, mas continua mobilizando aliados internacionais e liderando esforços pela realização de eleições livres e justas na Venezuela.

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